O uso do chamado “corredor” por motociclistas tem gerado debates em Florianópolis, especialmente com o aumento de motos circulando pela cidade em razão da alta demanda por entregas. A prática, que consiste em transitar entre os carros parados ou em movimento lento no trânsito, divide opiniões e levanta questionamentos sobre sua legalidade e segurança.
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De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), o trânsito de motocicletas no corredor não é explicitamente proibido, mas também não é claramente regulamentado. O artigo 56 do CTB determina que veículos de duas rodas devem circular nas faixas destinadas a eles, caso existam, mas não menciona o trânsito entre faixas em vias comuns. Já o artigo 169 estabelece que dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança pode ser considerado uma infração leve.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio da Resolução nº 709/2017, permite o uso do corredor em determinadas situações, desde que respeitados limites de velocidade e as condições de segurança. O trânsito entre faixas, portanto, é tolerado, mas não isenta o motociclista de responsabilidade em caso de acidentes.

Finalidade e controvérsias
A prática de usar o corredor tem como principal finalidade a redução do tempo de deslocamento. Em cidades como Florianópolis, onde o trânsito pode ser caótico, especialmente em horários de pico, muitos motociclistas veem o corredor como uma solução prática e eficiente. Motoboys e entregadores, por exemplo, destacam que a prática é essencial para garantir agilidade nos serviços e para a própria viabilidade econômica do trabalho.
Por outro lado, especialistas em trânsito apontam os riscos associados. A proximidade entre motocicletas e carros aumenta as chances de colisões, especialmente em situações onde os motoristas mudam de faixa sem verificar os retrovisores. Há também o receio de que o uso indiscriminado do corredor incentive comportamentos imprudentes, como o excesso de velocidade.
Aceitação social
Socialmente, o uso do corredor por motociclistas encontra resistência, mas também alguma tolerância. Motoristas que enfrentam congestionamentos tendem a considerar a prática aceitável, desde que os motociclistas respeitem os limites de velocidade e não coloquem em risco a segurança de pedestres e outros veículos. No entanto, casos de manobras arriscadas alimentam a percepção negativa sobre o tema.
Desafios em Florianópolis
Em Florianópolis, onde as vias estreitas e a alta densidade de veículos são comuns, o debate ganha contornos ainda mais intensos. Enquanto motociclistas defendem o corredor como uma necessidade, motoristas e autoridades pedem maior regulamentação e conscientização.
O tema reacende a discussão sobre a necessidade de políticas públicas que contemplem a mobilidade urbana de forma integrada, priorizando segurança e eficiência para todos os tipos de veículos. A tolerância social e a legislação precisam caminhar juntas para reduzir os conflitos e os riscos no trânsito da capital catarinense.
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