Nos últimos oito anos, o custo para viver de aluguel em Florianópolis aumentou muito mais do que o salário mínimo da região. Enquanto o salário cresceu em ritmo mais lento, o valor do metro quadrado para aluguel disparou. Essa diferença tem pressionado o custo de vida e dificultado a permanência de muitas pessoas na cidade.
Em 2017, o preço médio do metro quadrado era de R$ 21,91. Já em 2025, subiu para R$ 55,64. Um aumento de mais de 150% no valor absoluto. No mesmo período, o salário mínimo regional da primeira faixa passou de R$ 1.078 para R$ 1.730, uma alta de 60%. Ou seja, o valor do aluguel cresceu 58% acima do reajuste do salário.
Isso significa que, em 2017, cada metro quadrado alugado representava 2,03% do salário. Agora, esse mesmo metro quadrado representa 3,2% do rendimento. Para quem precisa de um apartamento pequeno, de cerca de 40m², o aluguel pode consumir mais da metade do salário mensal.
A realidade é ainda mais difícil para trabalhadores com renda mais baixa, que acabam dividindo moradias, morando com familiares ou recorrendo a imóveis mais distantes do centro da cidade.
Além do aluguel, outros itens também pesam no bolso de quem vive em Florianópolis. A cidade está entre as capitais com a cesta básica mais cara do país. Isso significa que o custo total para se manter morando na capital catarinense é um dos mais altos do Brasil.
Mesmo com toda essa pressão, Florianópolis atrai muitas pessoas, especialmente depois da pandemia. O trabalho remoto e híbrido permitiu que profissionais de outras cidades, com salários maiores, escolhessem Florianópolis para viver, aumentando a demanda por imóveis e puxando os preços para cima.
Foi a partir de 2023 que a capital ultrapassou a média nacional de aluguel. Enquanto o valor médio no país era de R$ 37,71/m², em Florianópolis já estava em R$ 41,48. Em 2025, a cidade entrou no ranking das cinco mais caras para morar de aluguel no Brasil, com R$ 55,64/m².
Hoje, Florianópolis só perde para Barueri (SP), São Paulo (SP), Recife (PE) e Belém (PA) em preço de aluguel. Mesmo assim, o lucro do dono do imóvel está entre os menores do país. A taxa de rentabilidade, que é quanto o proprietário ganha sobre o valor do imóvel alugado, é de apenas 5,56% na capital catarinense. Isso coloca Florianópolis como a 9ª cidade com menor retorno para quem aluga, entre os 36 municípios analisados.
Enquanto isso, o salário mínimo segue sem dar conta das necessidades básicas da população. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário para cobrir despesas com moradia, alimentação, transporte, educação e saúde deveria ser, em 2025, de R$ 6.900. Ou seja, quatro vezes mais do que o valor oficial em Santa Catarina.
Florianópolis, que encanta com suas belezas naturais e qualidade de vida, tem se tornado um lugar cada vez mais caro para viver. Morar na capital exige esforço, adaptação e, muitas vezes, sacrifícios. A desigualdade entre custo de vida e salário é um alerta para o futuro da cidade.
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