O futuro da gestão do Hospital Regional Helmuth Nass, em Biguaçu, entrou em uma nova etapa de discussão. O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) instalou uma mesa de consensualismo para tentar construir uma solução negociada para as divergências envolvendo a administração da unidade, que atende moradores da Grande Florianópolis e de outros municípios da região.
A primeira reunião ocorreu em 28 de setembro, na sede do tribunal, em Florianópolis, e reuniu representantes do TCE/SC, da Prefeitura de Biguaçu e da Beneficência Camiliana do Sul, conhecida como São Camilo, antiga responsável pela gestão do hospital.
A iniciativa está vinculada ao processo RLI 25/00152183, sob relatoria do conselheiro Aderson Flores. A proposta é aproximar as partes, identificar pontos de convergência e buscar encaminhamentos consensuais que ofereçam segurança jurídica e contribuam para a continuidade e o aperfeiçoamento dos serviços de saúde.

Na prática, a abertura da mesa cria um espaço institucional para que os envolvidos discutam as divergências relacionadas à unidade e procurem alternativas negociadas. A instalação, porém, não significa que um acordo já tenha sido alcançado. As tratativas estão em fase inicial.
A coordenação dos trabalhos ficou sob responsabilidade de Cassio Severo Rodrigues, chefe de gabinete do conselheiro-relator. Durante o encontro, ele destacou a importância do diálogo para superar o impasse e buscar melhorias na prestação dos serviços de saúde.
A diretora-geral adjunta de Controle Externo do TCE/SC, Monique Portella, também participou da reunião e ressaltou o papel do tribunal na mediação institucional e na construção de soluções voltadas ao interesse público.
Pelo município de Biguaçu, estiveram presentes a secretária de Saúde, Ana Flávia de Almeida e Silva, e os procuradores Karina Haskel e Gilberto Alves. A Beneficência Camiliana do Sul foi representada por Wilson Edmar Ascenio e Gabriel Scalon, acompanhados dos advogados Noel Baratieri e Fernando Belatto.
Durante a reunião inaugural, os participantes apresentaram considerações sobre o contexto da gestão hospitalar e demonstraram disposição para dar continuidade às conversas.
Uma disputa que se arrasta desde 2025
A abertura da mesa de consensualismo ocorre depois de uma sequência de acontecimentos envolvendo a administração do Hospital Regional Helmuth Nass, que ganhou destaque na região a partir da intervenção decretada pela Prefeitura de Biguaçu em julho de 2025.
Na época, o município assumiu a gestão da unidade por meio do Decreto Municipal nº 168/2025, com previsão inicial de 90 dias de intervenção. Entre as justificativas apresentadas pela administração municipal estavam os baixos índices de produção hospitalar, a necessidade de examinar contratos e balanços financeiros e a reorganização dos serviços.

A prefeitura também anunciou a análise das condições operacionais e patrimoniais do hospital, incluindo a possibilidade de contratação de auditoria externa para avaliar as contas da instituição.
A intervenção foi contestada pela Beneficência Camiliana do Sul, responsável pela administração anterior. A entidade questionou a legalidade da medida e apresentou denúncia ao Tribunal de Contas, buscando sua suspensão.
Em setembro de 2025, o TCE/SC decidiu manter a intervenção municipal, mas determinou que a prefeitura e a antiga gestora apresentassem documentos para fundamentar suas respectivas alegações. A discussão passou a integrar um processo de inspeção destinado a aprofundar a análise dos fatos.
A nova mesa de consensualismo representa outra etapa desse histórico: em vez de se limitar à análise das divergências, o tribunal busca criar condições para que as partes construam conjuntamente possíveis soluções.
Hospital esteve no centro de outras controvérsias
Ao longo de 2025, a unidade também foi alvo de discussões sobre o volume de atendimentos, o uso de recursos públicos, a disponibilidade de leitos e as condições de funcionamento de setores assistenciais.
Em maio daquele ano, questionamentos sobre recusas de internação de pacientes encaminhados pela UPA de Biguaçu ganharam repercussão. Na ocasião, foram discutidos os critérios clínicos utilizados para a admissão de pacientes e a utilização dos leitos disponíveis. A antiga administração sustentou que as decisões seguiam critérios técnicos e as regras do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em novembro de 2025, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) determinou a interdição ética parcial de setores do hospital após fiscalizações que apontaram problemas relacionados à assistência e à estrutura de funcionamento. A medida atingiu áreas como o centro cirúrgico, as UTIs adulto e neonatal, o atendimento obstétrico e parte dos serviços laboratoriais.
Na sequência, o hospital informou ter recorrido à Justiça Federal e anunciou a retomada dos serviços afetados. A antiga gestora, por sua vez, contestou a tentativa de atribuir à sua administração responsabilidade por problemas identificados após a intervenção municipal.
Já em junho de 2026, dados apresentados em uma reunião de prestação de contas à Câmara Municipal indicaram aumento no volume de atendimentos hospitalares. Entre janeiro e maio de 2025 e o mesmo período de 2026, as admissões passaram de 1.138 para 2.799 pacientes, segundo os números divulgados naquele encontro.

Esses episódios compõem o histórico recente de uma unidade importante para a rede pública de saúde da Grande Florianópolis.
O que pode acontecer agora
Com a instalação da mesa, o próximo passo será o desenvolvimento das tratativas entre o TCE/SC, o Município de Biguaçu e a Beneficência Camiliana do Sul. O objetivo é identificar pontos de entendimento e construir encaminhamentos que conciliem segurança jurídica, eficiência administrativa e qualidade dos serviços prestados.
Até o momento, não foi informado um acordo definitivo nem um cronograma para a conclusão das negociações.
Para os moradores de Biguaçu e das cidades vizinhas, a discussão envolve uma unidade que integra a rede regional de atendimento hospitalar. Por isso, os desdobramentos da negociação poderão ser acompanhados tanto pelo impacto na organização administrativa quanto pelas possíveis repercussões sobre os serviços oferecidos à população.
O portal Agora Floripa acompanha os desdobramentos envolvendo o Hospital Regional Helmuth Nass e seguirá apurando as decisões e os encaminhamentos oficiais relacionados à gestão da unidade.
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