Quem recebe salário mínimo já tem um novo valor no radar para o próximo ano. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional, prevê salário mínimo de R$ 1.741 a partir de 2027.
O valor representa uma alta de 7,4% em relação ao salário mínimo atualmente considerado como referência. A cifra, porém, ainda não é definitiva.
Isso porque o cálculo deverá ser atualizado quando for divulgado o IPCA de novembro, índice utilizado na fórmula de reajuste. A previsão apresentada no orçamento considera, neste momento, uma estimativa para a inflação acumulada em 12 meses somada à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025.
Para quem vive na Grande Florianópolis e tem o salário mínimo como principal renda da família, a mudança interessa diretamente ao orçamento doméstico: alimentação, aluguel, transporte, contas básicas e demais despesas do mês passam a ter como referência um novo piso nacional.

Valor de R$ 1.741 ainda pode mudar
É importante destacar que os R$ 1.741 são uma previsão do orçamento de 2027, e não o valor definitivo do salário mínimo.
A cifra será revisada posteriormente de acordo com o índice oficial de inflação previsto na legislação. Por isso, o número apresentado no PLOA poderá sofrer alteração até a definição final do novo salário mínimo.
O reajuste previsto atualmente é de 7,4%.
A proposta orçamentária também não prevê aumento para o Bolsa Família.
Por que o salário mínimo aparece no orçamento?
O valor do salário mínimo tem impacto muito maior do que apenas no contracheque de quem recebe o piso nacional.
Ele serve de referência para diversos pagamentos e despesas públicas, incluindo benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao mínimo.
Por isso, quando o governo calcula quanto será necessário gastar no ano seguinte, a definição do novo piso entra diretamente nas contas.
No orçamento de 2027, por exemplo, estão previstos R$ 1,169 trilhão para benefícios da Previdência e R$ 145,1 bilhões para o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O orçamento também prevê R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família e R$ 104,7 bilhões para abono e seguro-desemprego.
O que está por trás do reajuste
O cálculo apresentado pelo governo leva em consideração dois componentes principais: a inflação e o crescimento da economia.
Para 2027, o governo trabalha com uma estimativa de inflação de 3,6% e crescimento da economia de 2,46%.
A variação do PIB de 2025 também entra na fórmula utilizada para chegar à previsão do novo salário mínimo.
Como a inflação oficial que será considerada ainda precisa ser consolidada, o valor de R$ 1.741 permanece sujeito à revisão.
Orçamento prevê superávit em 2027
O salário mínimo aparece dentro de um orçamento mais amplo, que prevê mudanças na estrutura das despesas públicas.
O governo estima alcançar um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões em 2027, ou seja, receitas superiores às despesas primárias, sem considerar determinadas deduções permitidas pela legislação.
A meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é de resultado positivo equivalente a 0,5% do PIB, estimado em R$ 73,2 bilhões.
Considerando as regras que permitem descontar algumas despesas, como precatórios e sentenças judiciais, o resultado projetado no projeto orçamentário chega a R$ 83,4 bilhões.
Para alcançar esse cenário, o governo prevê redução no crescimento de algumas despesas obrigatórias.
Gastos com pessoal também terão limite
O orçamento prevê R$ 369 bilhões em despesas com pessoal, enquanto o governo pretende reduzir o ritmo de crescimento dessa despesa.
A previsão é de crescimento de 3,2% em 2027, abaixo da média de 7,9% registrada entre 2023 e 2026.
O chamado arcabouço fiscal também prevê mecanismos que deverão reduzir despesas obrigatórias em aproximadamente R$ 18 bilhões no próximo ano.
Outro mecanismo previsto para entrar em vigor em 2027 é a proibição de novos benefícios fiscais.
E a reforma tributária?
O orçamento também considera mudanças decorrentes da reforma tributária.
Em 2027, entram em cena a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo (IS), tributos federais relacionados ao consumo.
A estimativa é de uma arrecadação de R$ 678 bilhões com os dois novos tributos, que substituirão IPI, PIS e Cofins.
Pelas regras da reforma, a substituição não deve resultar em aumento da arrecadação.
Quanto o governo prevê gastar em 2027?
O projeto enviado ao Congresso prevê um orçamento total de aproximadamente R$ 7,5 trilhões, incluindo a rolagem da dívida pública.
Entre os principais números apresentados estão:
- R$ 2,576 trilhões no limite de despesas primárias;
- R$ 369 bilhões em despesas com pessoal;
- R$ 133 bilhões em investimentos;
- R$ 272,2 bilhões para a saúde;
- R$ 141,2 bilhões para a educação;
- R$ 1,169 trilhão para benefícios da Previdência;
- R$ 157,1 bilhões para o Bolsa Família;
- R$ 145,1 bilhões para o BPC;
- R$ 104,7 bilhões para abono e seguro-desemprego.
Também estão previstos R$ 6 bilhões de aporte nos Correios.
Nas emendas parlamentares, o orçamento considera R$ 44,8 bilhões para emendas individuais e de bancadas estaduais de execução obrigatória.
O que muda para quem recebe o salário mínimo?
Se a previsão atual for confirmada, o salário mínimo passará a R$ 1.741 em 2027.
O valor, entretanto, ainda depende da atualização pelo índice de inflação previsto na fórmula oficial. Portanto, quem acompanha o reajuste deve considerar os R$ 1.741 como a previsão apresentada no orçamento, e não como o valor final já definido.
Para trabalhadores, aposentados e beneficiários que têm o salário mínimo como referência, a definição do novo piso será um dos pontos de maior impacto direto do orçamento federal de 2027.
Na Grande Florianópolis, onde o custo das despesas do dia a dia pesa no planejamento de muitas famílias, o novo valor deverá entrar nas contas de quem depende do piso nacional assim que o reajuste definitivo for oficializado.
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