Orquídeas, memória e uma história que continua presente nos corredores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nove anos depois da morte de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, familiares, estudantes, professores e integrantes da comunidade universitária se reuniram nesta sexta-feira (2), em Florianópolis, para lembrar a trajetória do professor e ex-reitor.
A homenagem aconteceu no Jardim Cancellier, espaço localizado junto ao Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) da UFSC e que leva o nome do professor. Durante a cerimônia, novas orquídeas foram colocadas no jardim, em um gesto ligado a uma das plantas de que Cancellier gostava.
O espaço foi construído há quase três anos com apoio da Fundação José Arthur Boiteux (Funjab), da Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Feesc) e da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese). O jardim também abriga uma escultura assinada pelo artista Plínio Verani.

A cerimônia foi organizada pelo Centro Acadêmico XI de Fevereiro (CAXIF) e reuniu nomes da administração da UFSC, professores, estudantes e familiares de Cancellier. Entre os presentes estavam o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi e os irmãos Julio e Acioli Cancellier.
O momento também serviu para apresentar às novas gerações de estudantes uma parte da história da universidade que muitos não chegaram a acompanhar pessoalmente.
Cancellier nasceu em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, em 13 de maio de 1958. Filho de uma costureira e de um operário, chegou à UFSC em 1977 para estudar Direito, quando ainda era jovem e o Brasil vivia o período da ditadura militar.
Na universidade, participou do movimento estudantil e das mobilizações pela redemocratização. Em determinado momento, interrompeu a graduação para trabalhar com jornalismo e chegou a Brasília, onde atuou como assessor parlamentar no Senado Federal entre 1992 e 1994.

O retorno à UFSC aconteceu em 1995. A partir daí, sua trajetória passou a estar cada vez mais ligada à instituição. Cancellier concluiu o curso de Direito em 1998, fez mestrado em 2001 e doutorado em 2003, no próprio Centro de Ciências Jurídicas.
Em 2005, tornou-se professor do CCJ, onde lecionou Direito Administrativo. Nos anos seguintes, ocupou diferentes funções dentro da universidade, entre elas a coordenação do curso, participação no Conselho Universitário, chefia de departamento, presidência da Fundação José Arthur Boiteux e direção do Centro de Ciências Jurídicas.
Em 2015, venceu a eleição para a Reitoria à frente da chapa “A UFSC pode mais”, ao lado da professora Alacoque Lorenzini Erdmann. A posse ocorreu em maio de 2016.

O período à frente da universidade, porém, durou pouco mais de um ano. Em setembro de 2017, Cancellier foi preso e afastado da Reitoria. Após ser liberado, ficou proibido de entrar na UFSC e de manter contato com colegas de trabalho.
Em 2 de outubro daquele ano, morreu aos 59 anos.
Desde então, a memória do professor permanece ligada à própria história recente da UFSC. Ao longo dos anos, a situação envolvendo sua prisão e afastamento também passou a ser discutida publicamente, inclusive após o encerramento das investigações mencionadas durante a homenagem desta sexta-feira.
No encontro realizado no Jardim Cancellier, o reitor Amir de Oliveira destacou que a lembrança do professor não deveria ficar restrita aos acontecimentos que marcaram seus últimos dias.
A trajetória de Cancellier também foi lembrada pela relação com os estudantes, pela atuação na universidade e pela defesa da inclusão e da democratização do ensino superior.
O irmão Julio Cancellier também participou da homenagem. Ao falar sobre o professor para estudantes que não tiveram a oportunidade de conhecê-lo, lembrou a trajetória iniciada ainda jovem em Tubarão e o envolvimento com o movimento estudantil.
A imagem apresentada durante a cerimônia foi a de alguém que buscava aproximar pessoas e valorizar a participação de estudantes, técnicos e professores na vida universitária.
No final da homenagem, exemplares de orquídeas doados pela Reitoria, pelo CAXIF e pela direção do CCJ passaram a fazer parte do Jardim Cancellier.
As flores agora integram o espaço por onde circulam diariamente estudantes, professores, servidores e visitantes da UFSC.
O jardim, que já carrega o nome do ex-reitor, ganha assim mais um elemento ligado à história de Cancellier. Nove anos depois de sua morte, a lembrança permanece em um lugar de convivência dentro da universidade que marcou sua trajetória desde os tempos de estudante até a Reitoria.
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