Quem vive no Sul da Ilha conhece bem a preocupação que aparece quando a previsão aponta chuva forte: o risco de alagamentos. É justamente em um dos pontos com histórico desse tipo de ocorrência que Florianópolis iniciou, nesta terça-feira (1º), uma nova etapa de limpeza do sistema de drenagem do Rio Tavares.
O trecho escolhido chama atenção por um detalhe: nunca havia passado por desassoreamento desde a construção do canal, em 1985.
A intervenção faz parte das medidas adotadas pelo município para enfrentar os possíveis efeitos do El Niño e busca recuperar o espaço necessário para que a água consiga seguir pelo canal com maior facilidade.
O trecho completo tem cerca de 4 quilômetros, mas a operação de retirada dos sedimentos será realizada inicialmente em aproximadamente 1 quilômetro. A previsão é de que o trabalho seja concluído em 15 dias.

Limpeza será feita dentro da água
O ponto onde a equipe trabalha fica a montante da SC-405, em uma área úmida e de acesso complicado por terra. Por causa das características do local, não será possível levar máquinas pelas margens.
A solução encontrada foi utilizar uma escavadeira hidráulica instalada sobre um pontão flutuante, espécie de balsa capaz de sustentar o equipamento sobre a água.
A máquina percorre o canal e retira o material acumulado no fundo. Nos pontos onde houver acesso para veículos, o sedimento será levado em caçambas basculantes. Onde não for possível fazer esse transporte, o material será colocado sob as margens.
Uma equipe em terra também participa da operação para dar suporte ao trabalho.
Por que o desassoreamento é importante?
O canal do Rio Tavares funciona por gravidade. Não há sistema de bombeamento conduzindo a água.
Na prática, a água precisa aproveitar o desnível natural do canal para avançar. Com o passar dos anos, o acúmulo de sedimentos no fundo reduz esse espaço e diminui a velocidade do escoamento.
A retirada desse material permite recuperar parte da capacidade do canal e favorecer a passagem da água.
É justamente por isso que o trabalho foi incluído entre as ações de prevenção realizadas antes de períodos de chuvas mais intensas.
Uma operação pensada para reduzir impactos ambientais
A escolha de trabalhar diretamente sobre a água também está relacionada às características ambientais da região.
Como o acesso será feito pelo próprio canal, não há necessidade de abrir caminhos para máquinas pelas margens ou retirar vegetação para permitir a passagem dos equipamentos.
A área está em uma região de transição entre diferentes ambientes naturais, incluindo Mata Atlântica, restinga e mangue. Dessa forma, o método utilizado busca executar o serviço de drenagem sem a abertura de novos acessos terrestres.
Florianópolis já realizou outra limpeza no canal
Essa não é a primeira intervenção recente no Rio Tavares.
Em 2023, um trecho do canal passou pela primeira limpeza desde sua construção, quase quatro décadas depois da implantação da estrutura.
Agora, a prefeitura avança para outra parte que também não havia recebido esse tipo de manutenção desde 1985.
A diferença, segundo o planejamento municipal, é que o serviço está sendo realizado dentro de uma estratégia de preparação para períodos de chuva intensa, com a identificação prévia de pontos considerados críticos.
Mais de 100 pontos da rede hidrográfica já foram limpos
A intervenção no Rio Tavares faz parte de um programa mais amplo de manutenção da rede hidrográfica de Florianópolis.
De acordo com os dados divulgados pelo município, mais de 106 pontos já foram limpos. Outros 129 pontos estão programados até outubro.
A meta estabelecida é chegar a 65 mil metros de cursos d’água desobstruídos.
O trabalho foi intensificado nos últimos meses e está incluído nas medidas previstas no decreto de Estado de Alerta Climático publicado pelo município em 11 de junho.
Rio Tavares está entre os pontos de atenção
A região do Rio Tavares aparece nesse planejamento por apresentar histórico de alagamentos depois de episódios de chuva forte.
Com a retirada dos sedimentos acumulados, a expectativa é melhorar a vazão do canal e garantir condições mais adequadas para o escoamento da água.
Para quem circula ou mora no Sul da Ilha, a intervenção acontece em uma área que nem sempre chama atenção no dia a dia, mas que tem uma função importante na drenagem da região.
O serviço iniciado nesta terça-feira deve seguir pelos próximos 15 dias, enquanto as equipes avançam pelo trecho de aproximadamente 1 quilômetro definido para esta etapa.
Compartilhe essa informação com quem precisa saber!
Entre na comunidade do AGORA FLORIPA e receba informações gratuitas no seu Whatsapp!






