A segunda fase da Operação Backstage voltou a movimentar a política e a administração pública de Florianópolis nesta terça-feira (23), com novas ações de investigação sobre contratos firmados na área da Assistência Social do município. A operação apura possíveis irregularidades em serviços como o Restaurante Popular e a Passarela da Cidadania.
A ação é um desdobramento da Operação Pecados Capitais, iniciada em setembro de 2024, que já havia colocado sob investigação nomes ligados à gestão anterior da Assistência Social. Entre eles, o ex-secretário-adjunto Jeferson Melo, preso em dezembro daquele ano, e Marcos Ramos, associado a uma entidade responsável pela administração do Restaurante Popular.
As investigações apontam a existência de um suposto esquema de favorecimento a organizações e possível desvio de recursos públicos entre os anos de 2020 e 2022. Após a primeira fase, o inquérito foi ampliado para outros contratos da área social.
Na nova etapa da operação, também entra no centro das apurações um termo de colaboração firmado entre a Prefeitura de Florianópolis e a Associação Alberto de Souza, ligado ao Projeto Rumo Certo, coordenado por Leandro Lima, outro nome citado na investigação.
O contrato, assinado em junho de 2025, previa inicialmente repasse de R$ 3,3 milhões por 90 dias. Com aditivos posteriores, o valor teria ultrapassado R$ 21,2 milhões e o prazo foi estendido para um ano. Um novo aditivo, que ampliaria ainda mais os valores, teria sido um dos fatores que levaram à exoneração da então secretária de Assistência Social, Luciane dos Passos.
Segundo informações apuradas pela reportagem, a saída da secretária ocorreu após divergências internas, interferências em decisões técnicas e desgaste dentro da gestão. O ponto decisivo teria sido justamente a discussão sobre o novo termo aditivo.
Em nota divulgada nas redes sociais, a Associação Alberto de Souza afirmou que a contratação do Projeto Rumo Certo seguiu critérios legais, técnicos e administrativos previstos em edital, destacando que recebeu os questionamentos com tranquilidade.
A segunda fase da Operação Backstage foi deflagrada com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e às instituições citadas. A Polícia Civil também recolheu documentos e materiais que devem auxiliar no aprofundamento das apurações.
As investigações são conduzidas pela 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, vinculada à DEIC, e já resultaram em medidas judiciais que afastaram cautelarmente 13 pessoas e suspenderam 15 contratos relacionados ao caso.
Durante a operação, houve movimentação na sede da Polícia Civil com a chegada de viaturas e materiais apreendidos.
A Justiça também autorizou o afastamento de servidores de suas funções como medida cautelar, além da continuidade das diligências para identificar possíveis novos envolvidos.
Em nota oficial, a Prefeitura de Florianópolis informou que teve acesso ao processo e afirmou que não há pedido de afastamento de servidores municipais na nova etapa da operação. Segundo a administração, os mandados se restringem a buscas em residências de dois servidores, sem ações em órgãos públicos.
A Prefeitura também declarou que continuará colaborando com o fornecimento de documentos às autoridades e que, de forma voluntária, encaminhará toda a documentação referente à contratação emergencial da Passarela da Cidadania, realizada no primeiro semestre do ano passado.
Leia na íntegra a nota oficial:
A Prefeitura de Florianópolis informa que teve acesso ao processo da Operação Backstage na tarde de ontem. Após a análise do conteúdo, verificou que não há qualquer pedido de afastamento de servidores municipais. As medidas cumpridas pela Polícia Civil restringiram-se a mandados de busca e apreensão nas residências de dois servidores, sem buscas em órgãos públicos.
A Prefeitura seguirá fornecendo todos os documentos solicitados pelos órgãos responsáveis e atuando com total transparência.
Além disso, de forma voluntária, a administração municipal encaminhará, na próxima semana, toda a documentação referente ao processo de contratação emergencial da Passarela da Cidadania, conduzida pelo ex secretário Bruno Souza, realizada no primeiro semestre do ano passado, objeto da investigação. A medida reforça o compromisso da Prefeitura com a transparência e apuração dos fatos.
O ex-secretário Bruno Souza, citado na contratação emergencial mencionada, não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto para posicionamento.
A Operação Backstage segue em andamento, com novas análises de documentos e possíveis desdobramentos nas próximas fases.
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