Florianópolis avançou de forma significativa no desempenho da educação municipal e passou a ser observada como um possível modelo para outras cidades. Os resultados do Ideb 2025 mostraram uma evolução expressiva da rede de ensino da Capital, após um conjunto de ações voltadas à aprendizagem, à frequência escolar, à formação de professores e à gestão das unidades.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, Florianópolis passou de 5,8, em 2023, para 6,7, em 2025. Com o resultado, a Capital saiu da 10ª para a 3ª posição entre as capitais brasileiras.
Nos anos finais, o avanço também foi expressivo. O índice passou de 4,6 para 5,4, fazendo Florianópolis saltar da 15ª para a 2ª colocação entre as capitais.
A experiência desenvolvida na cidade agora poderá ganhar novos capítulos. O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) pretende utilizar o projeto desenvolvido em Florianópolis como referência para construir um modelo de acompanhamento das políticas educacionais que possa ser aplicado em outras redes municipais.
Resultado aparece junto com mudanças nas escolas
O avanço no Ideb ocorreu após uma série de medidas implementadas na rede municipal a partir de 2025.
O trabalho foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o TCE/SC e o Todos Pela Educação, com acompanhamento da implementação das ações pela Prefeitura de Florianópolis.
A estratégia partiu de um diagnóstico da educação municipal e passou para uma etapa de planejamento e execução, com acompanhamento periódico dos resultados.
Entre as mudanças adotadas esteve o aumento de quatro para seis aulas semanais de Língua Portuguesa e Matemática para cerca de 2.050 estudantes do 9º ano.
Também houve uma expansão significativa da educação em tempo integral nos anos iniciais. O número de estudantes atendidos passou de aproximadamente 400 para 2.900, alcançando 25,43% dos alunos dessa etapa.
Outras medidas incluíram a adequação do currículo à Base Nacional Comum Curricular, a distribuição de material didático estruturado para as 39 unidades educativas, formações mensais para professores e gestores e a criação de uma equipe de 10 tutores pedagógicos.
Esses profissionais passaram a realizar visitas duas vezes por semana às 39 escolas de ensino fundamental.

Avaliações ajudaram a identificar dificuldades
O acompanhamento também passou pela aplicação de avaliações de Língua Portuguesa e Matemática. A ideia era utilizar os resultados para identificar dificuldades e orientar intervenções pedagógicas.
As avaliações realizadas em março e julho de 2025 alcançaram, na segunda aplicação, 5.560 estudantes dos 2º, 5º e 9º anos, aproximadamente 84% do total de alunos dessas etapas.
De acordo com os dados apresentados pela Secretaria Municipal de Educação no projeto, houve uma redução média de 45% na quantidade de estudantes com defasagem em Língua Portuguesa e Matemática entre as avaliações consideradas.
A frequência mensal da rede municipal também aumentou 3,4% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Esses indicadores foram apontados no projeto como antecedentes do desempenho registrado por Florianópolis no Ideb de 2025.
Avanço também aparece em Português e Matemática
O crescimento da Capital não ficou restrito à nota geral do Ideb.
Na comparação entre as capitais brasileiras, os resultados de aprendizagem também apresentaram evolução.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, Florianópolis registrou crescimento de 17,1 pontos em Língua Portuguesa e de 26,7 pontos em Matemática.
Nos anos finais, o aumento foi de 20,4 pontos em Língua Portuguesa e de 22,5 pontos em Matemática.
O Ideb combina justamente o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais com as taxas de aprovação escolar, sendo utilizado para acompanhar a evolução da educação básica brasileira.
Modelo de acompanhamento poderá chegar a outras cidades
A experiência de Florianópolis passou a ter uma importância que vai além dos resultados obtidos pela própria rede municipal.
O TCE/SC trabalha na elaboração de um referencial que poderá ser utilizado para acompanhar a implementação de políticas públicas de educação em outras redes municipais.
A proposta é observar não apenas o resultado final de uma política, mas também o caminho percorrido até que ele seja alcançado.
Isso inclui acompanhar planejamento, governança, execução das ações, metas, indicadores, responsáveis, recursos, riscos e resultados.
Florianópolis foi escolhida como a primeira unidade gestora participante depois de um diagnóstico que levou em consideração dados de investimento, infraestrutura, oferta dos anos iniciais e resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica.
Na análise inicial, a Capital apresentava o maior investimento por aluno entre as capitais brasileiras, mas tinha desempenho educacional considerado abaixo do esperado quando comparado a outras capitais e aos níveis de aprendizagem adequados em Língua Portuguesa e Matemática.
Acompanhamento continua em 2026
O trabalho não terminou com a divulgação do Ideb.
O acompanhamento continua em 2026 e já foi ampliado para a educação infantil. No primeiro trimestre, a comparação entre avaliações diagnósticas e somativas das novas turmas identificou evolução da aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, embora os resultados tenham variado conforme o ano escolar e o componente curricular.
Na educação infantil, foi estruturado um plano de curto e médio prazo com sete pontos de atuação.
Entre as iniciativas está o desenvolvimento de uma Política de Transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, com atenção ao letramento, ao numeramento e à continuidade dos conhecimentos construídos entre a pré-escola e o 2º ano.
Florianópolis como projeto-piloto
A Capital catarinense passou a funcionar como um projeto-piloto para o desenvolvimento de uma nova forma de acompanhamento das políticas educacionais pelo Tribunal de Contas.
A intenção é sistematizar práticas, indicadores e critérios que permitam verificar a implementação das políticas enquanto elas estão sendo executadas.
Na prática, o modelo busca acompanhar o que acontece entre o planejamento de uma política pública e seus resultados nas escolas, permitindo identificar dificuldades durante o processo e subsidiar eventuais ajustes.
A experiência desenvolvida em Florianópolis poderá, posteriormente, servir de referência para fiscalizações e acompanhamentos em outras redes municipais.
Com os resultados do Ideb 2025, a Capital avançou posições entre as capitais brasileiras e, ao mesmo tempo, passou a integrar uma experiência que pretende transformar a maneira como a implementação de políticas educacionais é acompanhada em outros municípios.
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