A Lagoa da Conceição, um dos tesouros naturais de Florianópolis, enfrenta um dos maiores desafios ambientais da sua história. Estudos recentes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelam uma situação preocupante: a contaminação do ecossistema tem causado a perda de biodiversidade, afetando plantas, animais e a qualidade da água.
A crise se agravou após o rompimento do reservatório da estação de tratamento de esgoto da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), ocorrido em janeiro de 2021. O acidente despejou efluentes contaminantes na Lagoa e suas áreas protegidas, comprometendo a vegetação nativa e os organismos aquáticos.
Impactos ambientais na Lagoa da Conceição
Pesquisas apontam que a vegetação da restinga no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição está sendo soterrada devido à contaminação do solo. Houve uma redução significativa na riqueza de espécies nativas, e o local passou a ser dominado por plantas de áreas degradadas, que prosperam em solos com alta concentração de nitrogênio e fósforo. A perda dessas espécies vegetais também afeta diretamente os animais que dependem delas para sobrevivência.
Outro problema identificado pelos cientistas é o aumento do número de plantas secas em comparação com a vegetação verde. Isso indica que a área contaminada está sofrendo com o desequilíbrio ambiental, tornando-se menos capaz de se regenerar naturalmente. Especialistas alertam que a única solução viável é a implementação imediata de um projeto de restauração ecológica e o monitoramento da recuperação da área afetada.
Monitoramento em tempo real
Para entender melhor os impactos da contaminação na Lagoa da Conceição, pesquisadores da UFSC instalaram um sistema de monitoramento de alta frequência. A estrutura, em formato de boia, irá coletar dados a cada cinco minutos, analisando fatores como temperatura, salinidade, turbidez, concentração de algas e oxigênio dissolvido em diferentes profundidades.
Esse monitoramento permitirá um acompanhamento mais preciso das condições ambientais da Lagoa, ajudando a definir estratégias para sua recuperação. A preocupação maior dos cientistas é a formação de uma “zona morta”, uma área onde a falta de oxigênio impossibilita a vida aquática.
Poluição da Lagoa: contaminantes preocupam cientistas
Estudos também apontam que a água da Lagoa contém 35 tipos de contaminantes emergentes, incluindo resíduos de medicamentos, cafeína e cocaína. Os níveis mais altos de poluição foram detectados próximos à estação de tratamento de esgoto, o que indica que os efluentes lançados no meio ambiente são a principal fonte de contaminação.
Um dos principais desafios é encontrar formas eficientes e acessíveis de eliminar esses contaminantes. Pesquisadores da UFSC desenvolveram um sistema de purificação da água baseado em energia solar, chamado REACQUA, que demonstrou resultados promissores ao remover totalmente os poluentes.
Medidas urgentes para salvar a Lagoa
A audiência realizada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) reuniu especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir soluções. Entre as principais ações encaminhadas estão:
- Criação de um grupo de trabalho para monitorar a qualidade da água e definir medidas de recuperação;
- Maior fiscalização e proibição de novas construções na bacia da Lagoa da Conceição;
- Remoção urgente dos efluentes depositados nas dunas e restauração da vegetação;
- Revisão do plano diretor de Florianópolis para evitar novos impactos ambientais;
- Instalação de equipamentos que bloqueiem contaminantes na saída da macrodrenagem do Rio Vermelho.
Os cientistas alertam que a situação é grave e exige uma resposta rápida. Caso nada seja feito, os danos ambientais podem se tornar irreversíveis, afetando a vida marinha, o turismo e a qualidade de vida dos moradores da região.
Salvar a Lagoa da Conceição é um dever coletivo. A fiscalização e a cobrança por medidas efetivas são fundamentais para garantir que esse paraíso natural continue sendo um dos maiores patrimônios de Florianópolis.
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