Uma obra planejada há anos começa a avançar em Biguaçu, na Grande Florianópolis, com a assinatura do contrato para a primeira etapa dos Molhes do Rio Biguaçu. Os trabalhos começam pela dragagem e pelo desassoreamento do rio, com intervenções destinadas a melhorar o escoamento da água, reduzir os impactos das chuvas intensas e preparar a região para a implantação das estruturas previstas nas próximas fases.
O contrato foi assinado na noite de sexta-feira (2), e a primeira etapa tem investimento informado de R$ 18,39 milhões, com prazo estimado de 14 meses para conclusão. Desse total, R$ 10 milhões serão provenientes de um convênio com o Governo de Santa Catarina, enquanto o restante será custeado com recursos próprios do município.
A intervenção integra um projeto mais amplo, desenvolvido ao longo de anos de planejamento e estudos técnicos. A proposta contempla aproximadamente sete quilômetros de intervenções na região do Rio Biguaçu e de sua foz, onde o curso d’água encontra a Baía Norte.
A expectativa é que a retirada dos sedimentos acumulados no leito contribua para melhorar a capacidade de escoamento da água, especialmente durante períodos de chuva intensa, quando o volume de água que chega ao rio aumenta e as condições de drenagem ganham ainda mais importância para os moradores.
A primeira fase também prepara o trecho que receberá os molhes, estruturas projetadas para organizar a saída do rio em direção ao mar e atuar sobre a movimentação dos sedimentos na região.

Dragagem começa no encontro com o Rio Três Riachos
Os trabalhos iniciais serão realizados no encontro do Rio Biguaçu com o Rio Três Riachos. A intervenção abrange um trecho de 5,2 quilômetros, incluindo a retirada do material acumulado no fundo do rio e a adequação do canal.
Parte dessa área, com aproximadamente 1,84 quilômetro, está relacionada ao trecho previsto para receber os molhes nas etapas seguintes.
Para executar o serviço, será utilizada uma draga de grande porte, equipamento empregado na remoção e no transporte de grandes volumes de sedimentos. O objetivo é ampliar e adequar a calha do rio, criando condições para melhorar a circulação da água.
O material retirado será encaminhado para locais previamente definidos, conforme as exigências ambientais aplicáveis à operação. Antes da destinação, os sedimentos passarão por estruturas que permitem separar a água do material sólido.
O planejamento também prevê medições do fundo do rio antes e depois dos trabalhos, permitindo acompanhar as alterações produzidas pela dragagem.
Além da intervenção no leito, as equipes deverão atuar nas margens, com adequação de taludes e recuperação dos trechos afetados. Onde houver indicação técnica, também será feita a recomposição da vegetação ciliar.
As áreas utilizadas temporariamente para acesso e apoio aos equipamentos deverão ser recuperadas após a conclusão dos serviços.

Projeto prevê três etapas e investimento superior a R$ 91 milhões
Os Molhes do Rio Biguaçu fazem parte de um projeto dividido em três fases. A proposta foi revisada e atualizada em 2024, após a realização de estudos técnicos, análises laboratoriais, levantamentos batimétricos e sondagens.
O planejamento completo tem investimento estimado em R$ 91.711.382,87, considerando as intervenções previstas para a região.
A primeira etapa é dedicada à dragagem, ao desassoreamento e à recomposição de encostas. É também a fase que prepara o canal para receber as estruturas projetadas para a foz do rio.
Na segunda etapa, está prevista a implantação dos molhes nas barras Norte e Sul. Essas estruturas deverão orientar a saída do Rio Biguaçu em direção à Baía Norte e atuar na dinâmica de movimentação e deposição dos sedimentos.
A terceira fase prevê a urbanização e a requalificação da área do entorno para uso público, com espaços destinados à mobilidade, ao lazer e à atividade náutica.
Entre as estruturas planejadas estão uma dársena, trapiches, atracadouros, rampa para embarcações, ciclovia, passeio público, áreas verdes, estacionamento e decks.
A proposta reúne, portanto, intervenções no curso do rio e uma futura reorganização de áreas próximas à foz, com espaços previstos para circulação de pessoas e utilização por embarcações.
As etapas seguintes dependem do andamento do projeto e da execução das intervenções previstas no planejamento.

Obra busca reduzir impactos das chuvas em Biguaçu
A dragagem começa em um período de atenção às condições climáticas em Santa Catarina. A previsão divulgada pela Epagri/Ciram indica a atuação do fenômeno El Niño, associado à possibilidade de precipitação acima da média climatológica nos meses seguintes.
Em Biguaçu, a retirada dos sedimentos acumulados no leito do rio está entre as intervenções planejadas para melhorar as condições de escoamento da água.
Quando o fundo de um rio acumula sedimentos, o espaço disponível para a passagem da água pode diminuir. A remoção desse material, associada à adequação da calha, busca ampliar a capacidade de vazão do curso d’água.
A obra se soma a outras medidas preventivas realizadas pelo município, como limpeza e manutenção de sistemas de drenagem, ampliação da infraestrutura em pontos atendidos e acompanhamento de áreas consideradas críticas durante períodos de instabilidade.
A dragagem, porém, corresponde apenas à primeira fase do projeto dos molhes. A implantação das estruturas nas barras Norte e Sul e a futura urbanização do entorno estão previstas para as etapas seguintes.

Projeto dos molhes vem sendo planejado há anos
A implantação dos Molhes do Rio Biguaçu é resultado de um processo de planejamento que atravessa diferentes anos e etapas de articulação para viabilizar a obra.
Em março de 2023, a Prefeitura de Biguaçu buscava recursos federais para executar o projeto e discutia, em Brasília, a importância das intervenções na região da foz. Na ocasião, foram apontados problemas relacionados ao acúmulo de areia no rio, às condições de navegação e ao escoamento das águas pluviais em períodos de chuva forte.
O planejamento apresentado naquele período previa molhes com 468 metros de extensão, além da dragagem do rio para manter a profundidade desejada do canal e facilitar a circulação de embarcações.
A elaboração do projeto técnico também contou com a participação da Ábaco Urbanizadora, que contratou o material por R$ 800 mil e o doou ao município. Segundo as informações divulgadas, o projeto foi protocolado na Prefeitura em 1º de abril de 2025.
Esse investimento na elaboração técnica é distinto dos valores destinados à execução das obras. A primeira etapa agora contratada tem investimento informado de R$ 18,39 milhões, enquanto o planejamento geral das três fases foi estimado em mais de R$ 91,7 milhões.
As informações divulgadas anteriormente também mencionaram outros valores para a primeira fase e para o conjunto dos molhes, em diferentes momentos do planejamento. Por isso, os montantes devem ser considerados conforme a etapa e o contrato a que se referem.
O que está previsto para a região após a dragagem
Com a conclusão da primeira fase, o projeto deverá avançar para a implantação dos molhes e, posteriormente, para a requalificação da área próxima à foz do Rio Biguaçu.
A proposta prevê espaços para embarcações, estruturas de acesso à água, ciclovia, passeio público, áreas verdes e estacionamento. Também estão planejadas medidas de acompanhamento e recuperação ambiental ao longo da execução.
Para quem vive em Biguaçu e em outros municípios da Grande Florianópolis, a obra envolve questões que vão além da movimentação de máquinas no leito do rio. O projeto reúne medidas de drenagem, intervenções em um curso d’água ligado à Baía Norte e planos para ampliar as possibilidades de utilização pública da área.
Neste momento, o trabalho começa pela retirada dos sedimentos e pela adequação do canal. As próximas etapas deverão definir o avanço das estruturas dos molhes e dos espaços previstos para lazer e navegação.
O prazo informado para a primeira fase é de 14 meses. Já a conclusão de todo o projeto depende da execução das três etapas previstas, que incluem a dragagem, a implantação dos molhes e a urbanização do entorno.
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