A investigação sobre a morte de um casal dentro de um apartamento alugado em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, foi concluída pela Polícia Civil de Santa Catarina. Os exames e a perícia apontaram que Alisson Fernando de Souza da Mota, de 28 anos, e Camila Tillmann, de 32, morreram por intoxicação provocada por monóxido de carbono.
Os dois foram encontrados mortos em 13 de abril de 2026, em um imóvel localizado no bairro Ganchos do Meio, onde haviam passado a noite após alugar o apartamento por meio de uma plataforma de hospedagem.
De acordo com a investigação, o monóxido de carbono teria sido produzido pela queima incompleta do gás liquefeito de petróleo (GLP) utilizado no aquecedor de água do chuveiro. O gás se espalhou pelo apartamento e provocou a intoxicação das vítimas.
Os exames realizados nos corpos encontraram concentração de carboxiemoglobina superior a 50% no sangue. A carboxiemoglobina é formada quando o monóxido de carbono se liga à hemoglobina e prejudica o transporte de oxigênio pelo organismo. Segundo a investigação, o índice encontrado nas vítimas é compatível com uma concentração letal.

Perícia encontrou irregularidades no sistema de gás
Durante a investigação, os peritos também identificaram uma série de problemas relacionados à instalação e ao funcionamento do sistema de aquecimento do imóvel.
Entre as irregularidades apontadas estão a utilização de um aparelho projetado para gás natural conectado a um botijão de GLP, além da instalação do aquecedor em um ambiente interno com dimensões inferiores às exigidas pelas normas técnicas e sem abertura adequada para ventilação.
Outro ponto identificado pela perícia foi a saída da chaminé parcialmente obstruída por uma tampa plástica. Segundo a investigação, o material chegou a derreter e dificultou a saída dos gases produzidos durante a combustão.
A combinação dessas condições teria contribuído para que o monóxido de carbono permanecesse no interior do apartamento.

Proprietário do imóvel foi indiciado
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil informou que o proprietário do imóvel foi indiciado duas vezes por homicídio culposo, em razão das duas mortes.
O indiciamento ocorre após a investigação apontar as condições do sistema de gás e as irregularidades encontradas no apartamento.
Segundo a Polícia Civil, a exploração comercial de um imóvel destinado à hospedagem envolve responsabilidade pela segurança das pessoas que ocupam o local.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Caberá ao Ministério Público analisar os elementos reunidos pela investigação e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia.
O indiciamento, por si só, não representa condenação. A eventual responsabilização criminal dependerá das próximas etapas do processo judicial.
Casal foi encontrado após atraso no check-out
O caso começou a ser descoberto na tarde de 13 de abril. Alisson e Camila haviam alugado o apartamento por apenas uma diária e deveriam deixar o imóvel durante a manhã.
Como o casal não realizou o check-out e também não respondia aos contatos, o responsável pela hospedagem entrou no apartamento para verificar o que havia acontecido.
As vítimas foram encontradas inconscientes dentro do imóvel.
O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado e, durante o atendimento, a central orientou o início das manobras de reanimação. Equipes dos bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram ao local e realizaram procedimentos de emergência.
O atendimento também contou com o apoio da aeronave Arcanjo-03, utilizada em ocorrências de maior complexidade na região.
Apesar das tentativas de reanimação, o médico responsável confirmou as mortes ainda no local.
A ocorrência mobilizou também a Polícia Militar, que realizou a segurança e o isolamento da área, e a Polícia Científica, responsável pelos exames periciais.
Naquele momento, a presença de odor de gás e sinais de queimado próximos ao aquecedor ajudou a direcionar a investigação para uma possível intoxicação.
Investigação apontou a origem do gás
Com o avanço da perícia, os investigadores passaram a analisar o sistema de aquecimento de água do apartamento, as condições de instalação do equipamento e a circulação de gases no ambiente.
Os exames laboratoriais das vítimas e a análise técnica do imóvel foram fundamentais para estabelecer a causa das mortes.
A conclusão da Polícia Civil foi de que o casal morreu em razão da intoxicação por monóxido de carbono produzido durante a queima incompleta do GLP.
O gás é especialmente perigoso porque pode se acumular em ambientes fechados e, por não apresentar características perceptíveis que permitam uma identificação segura pela presença ou ausência de cheiro, a exposição pode ocorrer sem que a pessoa perceba o risco.
No caso investigado em Governador Celso Ramos, a perícia apontou que as condições do aquecedor, da ventilação e da saída da chaminé estavam entre os fatores relacionados à concentração do gás dentro do apartamento.
Com a conclusão do inquérito e o indiciamento do proprietário, o caso passa agora à análise do Ministério Público e da Justiça.
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