A polêmica sobre o naturismo na Praia da Galheta, em Florianópolis, ganhou um novo capítulo com a iniciativa dos vereadores Carla Ayres (PT) e Dinho (UNIÃO), que lançaram um abaixo-assinado para fortalecer o apoio ao projeto de lei 19423/2024. A proposta busca regulamentar a prática naturista no local, garantindo regras claras para a convivência e prevenindo conflitos.
A medida surge em meio a ataques contra o naturismo na Galheta, com discursos que associam a prática a atividades ilegais e deturpações sobre a história da praia, tradicionalmente reconhecida como espaço de liberdade e contato com a natureza. Desde que foi lançado, o abaixo-assinado já reuniu mais de 60 assinaturas em menos de uma hora, demonstrando o engajamento popular na defesa da regulamentação.
Para Carla Ayres, a mobilização é essencial para mostrar que a proibição do naturismo não representa a opinião dos moradores da capital catarinense. Segundo a vereadora, a Praia da Galheta é um símbolo de preservação ambiental e liberdade desde a década de 1960, e os recentes ataques têm motivações questionáveis.
Projeto de lei busca reestabelecer segurança jurídica
Embora o naturismo tenha sido oficializado em 1997, a revogação da lei municipal em 2016 deixou a prática em um limbo legal, aumentando a insegurança entre frequentadores e abrindo espaço para repressão indevida. A ausência de regras claras gerou conflitos com autoridades e ampliou os relatos de violência e discriminação contra naturistas e membros da comunidade LGBTQIA+.
O projeto de lei propõe que o naturismo na Galheta seja opcional, restrito à faixa de areia e ao mar, excluindo trilhas e formações rochosas. Além disso, prevê que o poder público atue para garantir a segurança no local e instale sinalização adequada para informar visitantes sobre a prática.
Tensão e repressão ao naturismo aumentam
Nos últimos meses, operações policiais e ações de segurança pública na Galheta passaram a inibir a prática naturista até mesmo na areia. A Associação Amigos da Galheta (AGAL) denuncia que a falta de regulamentação tem levado à criminalização indevida do naturismo e à violência contra frequentadores da praia.
A polêmica se intensificou com a “Trilha Segura”, iniciativa da Prefeitura de Florianópolis que levou agentes de segurança e famílias à praia, em um movimento interpretado como tentativa de intimidação. Frequentadores apontam que a verdadeira causa dos problemas não é o naturismo em si, mas a falta de fiscalização adequada e punição a quem comete assédios ou crimes no local.
Nos últimos dois anos, foram registradas denúncias de agressões e ameaças contra visitantes LGBTQIA+ na Galheta. Organizações sociais e ambientalistas alertam para o risco de ataques motivados por preconceito e reforçam a importância de manter a praia como espaço de convivência pacífica.
O abaixo-assinado continua aberto para novos apoiadores, buscando ampliar o debate e pressionar a aprovação da lei que restabelece a segurança jurídica para o naturismo na Praia da Galheta.
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